RESUMO

“É um grande erro criar teorias antes de analisar as informações. Inevitavelmente acontecerá uma distorção dos fatos para se encaixar a teoria em vez de teorias para se enquadrar aos fatos.” Sherlock Holmes é completamente racional. Qualquer conclusão a que ele chegue é sustentada por fatos e evidências. Sherlock pensa e age em direção a soluções de seus casos. Nenhuma de suas ações é impulsiva e suas emoções são completamente reprimidas para que não interfiram em seu raciocínio lógico.

Holmes é o famoso detetive de Conan Doyle que usa pequenos detalhes observáveis para fazer deduções sobre grandes fatos de ocorrências e comportamentos que o ajudem a solucionar um mistério. Falaremos mais sobre o caso do filme estrelado por Robert Downey Junior em que o detetive enfrenta um período de mudança de seu leal companheiro Watson que irá se casar com Mary e se mudar de Baker Street, onde mora com Holmes.

O caso é o de Lorde Blackwood. Holmes corre na primeira cena e encontra um homem tentando impedi-lo de evitar que uma menina morra nas mãos de Blackwood.

“Cabeça inclindada para esquerda, surdez parcial de uma orelha, primeiro ponto de ataque. Segundo, garganta. Paraliso cordas vocais, ele para de gritar. Terceiro ele deve beber muito. Soco no fígado. . Quarto, ele arrasta a perna esquerda. Soco no joelho. Ele vai recuperar a consciência em 90 segundos. A habilidade marcial em 15 minutos. Recuperacão total improvável. “

Em segundos, o homem está abaixo. Em segundos, a estratégia foi feita de detalhes observados e Holmes evita o assassinato da menina.

Por seus crimes, Blackwood é condenado a forca. Ele alerta a todos que ‘a morte é apenas o começo’.

Ora, não há nada que estimule mais Holmes do que um desafio mental, talvez por isso ele encontre tanta gente que o provoque em sua sagacidade. É o fato de chegar em sua própria casa e encontrar Irene Adler, a única mulher que ele amou e que foi mais esperta do que ele duas vezes. Estranho toque do acaso Adler é uma criminosa e está trabalhando para alguém que Holmes espera descobrir.

O uso de disfarces, busca em lugares, observação de mudanças de comportamento do criminoso ajuda Sherlock a descobrir que o método de Blackwood se baseia em um sistema místico ritualista. Descobre onde será o próximo crime e consegue evita-lo com a ajuda de Irene que o distrai, para que Moriarty, o homem que a contratou consiga uma peça de uma maquina que faria com que ele controlasse qualquer dispositivo por ondas eletromagnéticas. Encerra-se o filme com a abertura de um novo caso.

É natural que se pergunte, como o comportamento de Sherlock faz dele tão certeiro em suas soluções de mistérios. Seus companheiros são competentes, mas por um fração do momento podem vacilar. Sherlock não. Existem três fatores que garantem o sucesso de Holmes. O ego dele está centrado em não se O fato de Sherlock ser tão realista evita que ele tenha frustrações. No inicio do filme por exemplo, o inspetor Lestrade também foi convocado a evitar os crimes de Blackwood. Sherlock pergunta onde o inspetor está e alguém diz que ele está alinhando as tropas. Sherlock já conclui que isto pode levar o dia todo e começa agir por conta própria. Sem esse senso de realidade o detetive poderia ficar esperando para agir, mas aí como ele mesmo diz, quando o detetive chegasse eles estariam limpando um corpo e indo atrás de um foragido.

Sherlock exibe o seu “eu como alguém que não se importa com o que pensam dele. Por não se preocupar com a opinião dos outros, ele não permite que seu cérebro busque o caminho de menor resistência e encontre a solução mais óbvia e ele reprime suas emoções. Seus comportamentos não são todos positivos. Mas a combinação destes o levam a ser o melhor detetive de Londres.

É uma tendência natural de nossos cérebros encontrarem o caminho de menor resistência. Tudo que não é natural, faz com que o cérebro ative um alerta para que volte a ser feito como antes. Isso se torna um grande obstáculo para superar hábitos nocivos. Como primatas, fomos feitos para guardar o máximo de energia possível. Por isso, sempre que o cérebro tem uma oportunidade de economizar energia, ele o fará. E muitas vezes essa economia faz com que receba informações equivocadas sobre a realidade.

Nosso ambiente dispara muito mais informações do que qualquer pessoa poderia absorver sozinha. Por isso, focamos no que nos interessa e descartamos todo o resto. Isso faz com que vejamos o mundo como nós somos e não como ele realmente é. É daí que tiramos a oportunidade de mascarar a realidade e colorir ela de uma forma que nos fará mais feliz, pelo menos momentaneamente. É isso que Sherlock Holmes se concentra em NÃO fazer. Holmes tem um foco claro: usar apenas evidências para chegar na verdade sobre um crime. Sempre que sua mente tenta convence-lo a relaxar ele luta contra o impulso e volta a buscar a solução real das coisas.

Pessoas podem chegar perto de ser o mais realistas possíveis, mas é impossível alcançar uma objetividade real. Não temos como saber como o mundo é pois estamos carregados de emoções, memórias, atalhos que nosso cérebro busca. Até mesmo a forma real em que vemos as coisas diferem de uma pessoa para outra. Tome como exemplo um daltônico. Ele não vê da mesma forma que uma pessoa que vê cores padrão.

Emoções podem nos levar a caminhos mais favoráveis, mas podem nos levar a correr riscos. É bom sentir emoções. O ideal seria entender como emoções afetam nossas decisões. Em “Pense como um Freak” é narrada a história de um primeiro-ministro que queria manter um sistema de saúde inalterado de alto custo em um país em recessão por causa de um filho que precisou muito do atendimento de seus médicos e sempre foi atendido. A influencia emocional do sistema cegava o primeiro ministro para seus resultados práticos. Isso provavelmente jamais aconteceria com Sherlock.

Quando há rumores sobre Blackwood ter sido visto andando no cemitério, Watson descarta imediatamente a possibilidade. Mas Sherlock o alerta que ele não deve descartar os fatos. Seu poder de desvendar pessoas faz com que seu poder de manipulação sobre o companheiro seja grande. Após ter provas de que Blackwood realmente não está morto, a mente de Watson novamente tenta relaxar sugerindo que neste caso pode ter sido uma força sobrenatural. Assim o caso estaria resolvido, ele não teria mais que se preocupar com isso, ia poder finalmente pensar na decoração de sua casa nova com Mary e em quantos filhos eles conseguiriam dar conta de criar. Novamente Sherlock alerta sobre o erro de se teorizar antes de se ter dados.

O fato de Sherlock ser tão realista evita que ele tenha frustrações. No inicio do filme por exemplo, o inspetor Lestrade também foi convocado a evitar os crimes de Blackwood. Sherlock pergunta onde o inspetor está e alguém diz que ele está alinhando as tropas. Sherlock já conclui que isto pode levar o dia todo e começa agir por conta própria. Sem esse senso de realidade o detetive poderia ficar esperando para agir, mas aí como ele mesmo diz, quando o detetive chegasse eles estariam limpando um corpo e indo atrás de um foragido.

Diariamente, avaliar as probabilidades de pessoas específicas cumprirem com seus compromissos, um serviço contratado falhar no prazo de entrega, um companheiro de trabalho faltar seria de auxílio também para evitar frustrações em situações simples e que podem ser planejadas de antemão. Sherlock corre um risco em evitar frustrações ao não criar relações com as pessoas. Ele não tem vínculos, portanto não pode contar com parceiros em sua jornada. Seu único parceiro está o deixando para morar com uma mulher.

A definição de ego de Osho é muito esclarecedora. Ele conta uma história de um rei que construiu um palácio com uma sala com milhões de espelhos. Se alguém acendia uma vela ali, apareciam milhões de velas. Se alguém quisesse brincar ali, apareciam milhões desse alguém. Um dia um cachorro entrou lá e ficou muito assustado com milhões de cães. Ele ia morrer com certeza. Ele latia, milhões de cães latiam. Ele ficou agressivo e milhões de cães ficaram agressivos. Ele se atirou contra as paredes e de manhã foi encontrado morto.E não havia ninguém, exceto o próprio cão. A definição que Osho dá do ego é que ele nasce de reflexos. Você vê seus reflexos no que outros dizem sobre você, na maneira que te olham, que se expressam e vai acumulando. Você forma desses reflexos uma identidade. Até mesmo quando conhecemos outras pessoas, elas são na verdade um reflexo nosso, das características que resolvemos lhes dar.

O ego existe em todas as pessoas. Não poderia ser diferente, todos precisamos ter uma identidade. Existem pessoas, que deixam seus egos afetarem seu comportamento mais do que outras. Se passamos a nos preocupar em demasia com o nosso reflexo, deixamos de fazer o que nos da prazer e passamos a fazer o que nos da uma imagem melhor. Normalmente tiramos essa referencia de exigências de nossa cultura. Muitas vezes a preocupação excessiva com o ego pode paralisar pessoas. Evitar ações com o medo do fracasso e do que isso iria causar para a sua imagem.

Holmes aparentemente constrói seu ego na ausência da necessidade do reconhecimento. A imagem que ele quer passar é a de que não precisa da aprovação de ninguém e não se importa com reflexos. Ao resolver seus casos não é ele que leva o crédito na imprensa. Após salvar a menina que Blackwood ia matar, a imprensa divulga como se o inspetor Lestrade tivesse solucionado o caso e não Holmes. Sherlock foge de fotos e enfrenta as pessoas com fatos que deduz sobre elas de forma agressiva, o que demonstra uma despreocupação com o que venham a pensar dele e uma falta de empatia.

Essa característica de Holmes facilita seu pensamento claro. Se preocupar muito com os reflexos que produz nos outros faz com que as pessoas misturem emoções que muitas vezes não correspondem ao real alcance do que terceiros estão refletindo a elas. Essas emoções interferem no que está acontecendo na realidade, ou seja, nos fatos. Distorções de visões de outras pessoas podem acontecer em dois sentidos. O primeiro transforma o que alguém disse ou fez em uma imagem mais negativa do que a real intenção da pessoa. Isso nos afeta com emoções pessimistas podendo trazer reações de auto-sabotagem, que não deixam de ser uma forma do cérebro gastar menos energia pois ele já acaba com qualquer possibilidade antes mesmo de lhe dar uma chance. E o segundo é uma forma de mascarar uma realidade mais cruel, para não ter que se preocupar com isso agora ou evitar sofrimento, o que acaba prolongando uma situação ruim ou fazendo com que se entre em uma zona de conforto em algo destrutivo. Holmes não se desvirtua em nenhum desses sentidos. Ele trabalha no centro, onde as coisas são como elas são.

Um homem com poucas pessoas em seu convívio, Holmes só se envolve com quem realmente lhe interessa e possa lhe ajudar, dispensando formalidades sociais. Mesmo para conhecer a noiva de seu parceiro, ele é resistente. Não ter essa necessidade de outros ao seu redor vem da supressão de sua emoção. Isso torna Holmes um homem solitário. Apesar de toda sua perspicácia e sagacidade ele tem dificuldade em compartilhar tanto informações, quanto sentimentos. Assim, ele deixa de revelar seus planos em muitas ocasiões a Watson, que se diz incomodado com isso.

Emoções podem sim se transformar em realidade. Quando acreditamos em uma determinada coisa e nos sentimos bem em relação a ela, nos comportamos de formas que levam a concretização daquilo. Quando não acreditamos ou temos emoções negativas a tendência é não fazer nada para alcançar o objetivo. Por esse motivo reprimir emoções não seria o recomendável, já que elas são um indicador de se você está no caminho certo. E, aqui está a contradição de Sherlock Holmes, porque reprimir as emoções pode fazer você lidar melhor com fatos do mundo objetivo, mas faz com que você se cegue a possíveis percepções de seu eu. No caso de Sherlock ele se cega a sua falta de higiene, ao fato de não ter muitos vínculos íntimos com pessoas, ao fato de não ter uma família. Sherlock não quer ver o que pode lhe causar dor e essa realidade ele evita a qualquer custo. E isso são fatos, não uma teoria.

Tendo em vista que o objetivo de Holmes é ser o melhor detetive e usar sua perspicácia da melhor forma possível, o detetive o faz da melhor maneira. A supressão da emoção de Sherlock poderia vir a atrapalha-lo caso este tivesse objetivos como casar e fazer sua família, ser querido, compreender ao próximo, entre outros. Sherlock tem que sacrificar sua atração por Irene para se manter em seu eixo de objetividade. Ela o chama para ir com ela, chora, e mesmo com seu novo cenário de perder Watson para Mary ele evita Irene. O que se conclui é que antes de resolvermos nos tornar super racionais porque seria muito legal desvendar qualquer mistério assim como Sherlock o faz, temos que nos perguntar qual é nosso objetivo e se virar um Sherlock Holmes ajudaria a supri-lo ou se seria melhor passarmos bem longe de Baker Street.

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