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Coaching para Piratas do Caribe : Maldição do Pérola Negra

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Resumo do Filme

“Bebam companheiros, io-ho. Io-ho, io-ho, é a vida que eu quero para mim.” No filme Piratas do Caribe, Elizabeth começa cantando e acha que seria emocionante encontrar um pirata. Um menino, Will Turner, é resgatado da água após o incêndio de um navio próximo. Ele usa um colar com o emblema dos piratas e Elizabeth o pega.

Jack Sparrow, um pirata de andar e vestimentas excêntrico aparece no cais.

“Este cais é proibido a cidadãos” – Soldado

“Desculpe, eu não sabia. Se eu vir algum vou informar-lhe devidamente.”- Jack Sparrow

Um navio ataca o castelo e sequestra Elizabeth, filha do governador. A menina tem um medalhão asteca que é a última peça necessária para acabar com uma maldição que caiu sobre os piratas. Além das peças, eles precisam do sangue de Turner.

Jack Sparrow salva o menino oferecendo a possibilidade de saquear o navio real antes de virar mortal ao capitão Babossa. A maldição os tornou imortais, então seria mais fácil roubar de soldados humanos sob essa condição. O capitão Babossa topa.

Will Turner derrama seu sangue sobre as medalhas fazendo com que os piratas amaldiçoados voltem a ser humanos. Jack Sparrow, que esperou anos para se vingar de seu traídor, atira a bala de seu revolver em Babossa. Assim o capitão volta a sentir, mas apenas por uma fração de minutos antes de morrer.

Jack retoma seu navio, o Perola Negra, agora com uma tripulação formada que deixou de se apegar a códigos e se tronou leal. Will Turner declara seu amor por Elizabeth que abre mão do Comodoro para ficar onde seu coração está.

Coaching para Jack Sparrow

A analise de Piratas do Caribe será feita com base nos comportamentos que destacam a produtividade no trabalho. Existe uma competição incessável entre os piratas e capitães no filme. Da mesma forma, qualquer que seja a profissão que se escolha, existe uma competição se ela se inserir em um sistema capitalista.

Jack Sparrow começa sem navio, sem piratas e apenas com o título que ele mesmo se dá de capitão. Para quem o vê a primeira vista fica uma dúvida de se um personagem excêntrico assim realmente conquistará algo. Jack chega determinado a conseguir um navio e ir a Tortuga para juntar sua tripulação.

Empresas e profissionais muitas vezes dão muita importância a recursos tangíveis, relegando a segundo plano seus recursos intangíveis. Essa ação pode frear muito o desempenho. Vejamos que Jack começou sem qualquer recurso material, mas seu treinamento e desempenho fizeram com que ele derrotasse o outro capitão e retomasse o Pérola Negra, seu navio precioso. Voltando a ser capitão, o pirata poderia obter muitos tesouros e conquistou a lealdade de uma equipe.

Pensemos em países como grandes empresas. Os países com mais recursos são os mais desenvolvidos? Com certeza não. Os países mais desenvolvidos são os que mais investiram na capacitação humana. Países altamente capacitados incluem Suíça, Belgica, Japão, Cingapura, Alemanha. Estes países são pobres em recursos naturais.  Em compensação, podemos apontar países como a Venezuela e a Arábia Saudita que possuem muitos recursos, mas investiram mal em capital humano. O mesmo cenário se reproduz em empresas. Falo aqui em empresas, mas empregados devem pensar como donos para se sobressaírem em suas áreas, portanto os comportamentos valem para qualquer trabalhador.

Ter uma tripulação era o primeiro objetivo de Jack. Assim como a tripulação de uma empresa deve ser um de seus principais objetivos. Muitas falhas são justificadas com a falta de recursos financeiros. No entanto o uso de comportamentos construtivos otimizam recursos intangíveis que resultam em maior desempenho do todo. É possível desenvolver muita coisa com pessoas empenhadas. E para isso não é nem mesmo necessário pagamento de salários altos. A zappos é uma empresa que paga salários baixos para seus funcionários e tem uma grande disputa por suas vagas, porque proporciona um ambiente agradável e acolhedor. O dinheiro é apenas uma das motivações das pessoas para trabalhar em um lugar.

Quem é funcionário também aumenta seu valor ao investir em seu próprio desenvolvimento. Com o tanto de informações que temos disponíveis de forma gratuita na internet, é fácil fazer isso sem custo algum.

Quando o Comodoro fala para Jack que ele é o pior pirata de que já ouviu falar, Jack retruca dizendo, “mas você ouviu falar de mim”. As respostas e ações de Jack Sparrow demonstram uma grande consciência do que acontece ao seu redor. Assim como ele faz, é importante em carreiras que se assuma uma liderança. Existem diferente estilos de liderança. Uma dos estilos do pirata é fazendo com que todas as suas experiências trabalhem para ele de alguma maneira. Sparrow enfrentou dificuldades e fracassos, e utilizou desses para prever os comportamentos de seus adversários e esperar a hora certa de agir. Mais de uma vez no filme, ele se preocupa que Will tome alguma decisão precipitada, botando todo seu planejamento a perder.

É de grande importância que em nossas carreiras saibamos a hora certa de colocar em pratica algumas decisões. Decisões tomadas em horas erradas já comprometeram muitas empresas.  A Microsoft, por exemplo, lançou um programa chamado terra server, que estava a frente de seu tempo, eles descontinuaram o projeto e hoje o google Earth atende perfeitamente às funções do programa oferecido pela Microsoft.

Decisões constantemente postergadas também deixaram muitas para trás. A Kodak foi uma empresa que desenvolveu maquinas digitais quando estas ainda não estavam em alta, mas evitou a venda por medo de parar a venda de filmes. Eventualmente a empresa quebrou. A xerox desenvolveu muitos projetos inovadores, mas sem o lançamento desses no mercado perdeu espaço para outros espertinhos que estavam de olho.

Coloco como exemplo o nome de empresas, mas todas essas decisões dependeriam da iniciativa e visão de apenas uma pessoa. Você poderia ser essa pessoa no lugar em que você trabalha. Jack monta estratégias para suas ações muito bem elaboradas, unindo a elas um plano do momento oportuno para serem feitas. Ele não poderia encontrar momento melhor para usar a única bala de sua pistola, quando Turner quebra a maldição dos piratas e faz com que Babossa volte a ser mortal. Jack fez a realização do sonho de seu inimigo se concretizar apenas para ver a sua própria morte.

Quando presos na ilha, Elizabeth demonstra o controle de seu desejo por gratificação instantânea. Tomamos muitas ações no trabalho e em nossas vidas pessoais que nos trazem um prazer instantâneo. A geração Y não parece ter paciência para processos de longo prazo. Ainda que existam áreas que precisam de mudanças constantes que esse imediatismo nos traz, alguns processos só podem amadurecer e trazer frutos com o passar de prazos mais longos.

Elizabeth cede ao prazer da bebida no primeiro dia em que está na ilha. Mas no dia seguinte ela acorda Jack com uma enorme fogueira que acendeu ao acabar com todo o estoque de bebidas que os traficantes abandonaram na ilha. Ela sacrifica seu prazer imediato por uma causa maior que seria sair da ilha. Ações como ficar com a razão em discussões com grandes clientes, usar sempre mesmos métodos sem testar sua eficácia, prender-se em detalhes perfeccionistas, evitar burocracia são exemplos de escolha por um prazer imediato que sacrifica a possibilidade de ganhos muito melhores a longo prazo.

Quando Elizabeth é sequestrada pelo capitão Babossa, Will fala ao Comodoro que eles podem fazer um acordo com Jack Sparrow para os levar até ela. O Comodoro fala para ele nao cometer o erro de achar que é o único que se importa com Elizabeth. A diferença entre ambos, neste ponto, é uma que deve ser monitorada com frequência na carreira. Will está focado no resultado, ele quer Elizabeth de volta. O Comodoro está focado na ação, ele sabe que deve se esforçar muito para conseguir recuperar a moça.

Cometemos esse erro com frequência em nossas carreiras. Focamos mais em fazer o maior número de ações possíveis e isso no faz perder a direção. Quantas pessoas conhecemos que trabalham muito, mas parecem ficar estagnadas? Agir com afinco não é sinônimo de resultados. Concentrar esfrorços no que se quer gerar é uma maneira mais produtiva de se trabalhar. Se você trabalha apenas metade do tempo do que fazia antes mas consegue gerar mais resultados disso, você está trabalhando de forma mais eficiente e proveitosa.

Digamos por exemplo que seu objetivo seja fazer um discurso que alcance 6 milhões de pessoas. Você pode fazer isso aparecendo como convidado em um programa de televisão com audiência de 6 milhões de pessoas que se propõe a tratar do tema que você oferece. Ou pode fazer isso falando para 60 mil grupos de 100 pessoas individualmente. O resultado é o mesmo, o esforço empreendido não.

Jack foi traído por seus companheiros de bordo. Ele poderia usar essa situação como forma de justificar seu fracasso como capitão, mas ele estuda o comportamento de seus inimigos para derrota-los e recuperar o Perola Negra. Quanto mais encontramos coisas para nos preocupar, mais nos ajustamos a ideias de que as coisas não vão dar certo. As vezes isso faz com que as pessoas sabotem seus esforços na carreira para ter onde colocar a culpa.

Comportamentos como este, de autossabotagem faz com que as pessoas se vejam ainda com capacidade intacta. Isso protege o ego delas de ser ferido. Nesse sentido, seria um risco para Jack tentar recuperar seu barco porque poderia fracassar novamente. Se ele não fizesse esse esforço teria de fazer um esforço para se convencer de que sua situação atual, que era desagradável, não era tão ruim. Temos de tomar cuidado, porque também temos a capacidade de nos acostumar a situações negativas. Entre ambos os riscos, sempre corra o de tentar novamente. Porque há o risco também de dar certo.

Vejamos que Jack insiste apenas no sucesso de sua empreitada. Na cena em que chega ao cais, ele afunda um barco e abre mão dele. Muitas vezes não sabemos a hora certa de abrir mão do que vem a ser um mau negocio para nossas carreiras. Situações que exigem um alto investimento de tempo, dinheiro e esforços as vezes não nos trazem o resultado que esperamos. Como já colocamos tanto suor naquilo, no entanto, não queremos abrir mão de continuar. Muitas vezes o estigma de fracasso também nos faz insistir em coisas que não trazem resultado. Saber abrir mão de um barco naufragando pode abrir caminho para novas oportunidades que trarão os resultados desejados. Não estou sugerindo que deixemos os barcos afundarem para ficar bebendo o resto da vida em uma ilha deserta. Mas sim em deixar o barco afundar e entrar em outro barco que seja considerado o mais veloz do mundo, assim como Jack Sparrow fez.

A traição do capitão Babossa com Jack, também fez com que o pirata construísse uma equipe melhor e leal.  Inicialmente o pirata provavelmente se sentiu traído. Mas no meio desses sentimentos há um momento em que nasce um poderoso desejo de lidar  com pessoas que mantenham sua palavra e sejam integras. Como resultado disso, ao final do filme, sua nova tropa de piratas evita seguir regulamentos que destruam a unidade do grupo. Assim como este exemplo, temos que seguir as diretrizes de nossos fracassos e frustrações para nos apontar o melhor caminho a tomarmos a partir deles.

Ao final do filme, Will Turner ajuda Jack a escapar. Motivada pela ação de Will, Elizabeth protege ambos e diz que quer ficar com Will para seu pai, o governador. Nesse ponto do filme o rumo de três vidas muda totalmente em uma questão de minutos. Mas o que fez com que essa mudança acontecesse foram decisões. Muitas vezes os medos referentes ao desconhecido paralisam a pessoa, impedindo que esta  tome uma decisão.

Reclamar de um emprego, de seus companheiros de trabalho ou do ambiente deste não serve de nada a menos que se tome uma decisão.  Toda ação é precedida por uma decisão. São elas que determinam nosso destino. Então a próxima vez que estiver em uma encurzilhada, não hesite em escolher logo o que você acredita que fará recuperar seu Perola Negra mais rápido.

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O Coaching Do Shrek

Shrek

Resumo

“Era uma vez uma linda princesa. Mas ela recebeu um feitiço do pior tipo. Que só poderia ser quebrado com um beijo de amor. Ela esperou no quarto mais alto da mais comprida torre por seu verdadeiro amor e seu beijo.” Shrek rasga a página e ri. “Como se isso fosse acontecer.”

Shrek é um ogro rabugento e incorpora a imagem tradicional do que um ogro deve fazer para afastar qualquer um que tente se aproximar dele. Quem o vê sai correndo de imediato. Um burro falante, que aparentemente não sabe que deve temer um ogro, o idolatra por livra-lo de caçadores de personagens. E assim começa uma parceria.

Para retomar seu pântano Shrek e o burro vão até Duloc, a cidade reinada por Lorde Farquard. O lorde, que quer virar rei, manda Shrek em uma jornada para salvar a princesa Fiona.

Chegando no castelo o burro se apavora ao ter que atravessar uma ponte acima da lava. Shrek o encoraja falando que estará ao seu lado para suporte emocional.

Shrek salva Fiona e começa a sua jornada para leva-la ao castelo de Farquad. No caminho Shrek e Fiona percebem que tem sentimentos um pelo outro, mas fazem de tudo para negar isso. A princesa demonstra comportamentos que fogem do padrão para um membro da realeza, como comer ratos, arrotar, e lutar com homens.

Como o caminho até Duloc é longo, Fiona se desespera toda vez que chega perto o por do sol. Sempre encontra um lugar protegido para dormir. O burro, descobre que a princesa vira ogra durante a noite, compreendendo suas semelhanças com Shrek.

Entre maus entendidos, a princesa vai se casar com o Lorde, mas Shrek impede declarando seu amor a ela, que ele descobre que é recíproco. O ogro e Fiona se beijam e ela fica em sua forma de ogra. “E eles viveram feios para sempre.”

 

 Shrek na Sessão de Coaching

Shrek é uma paródia de contos e de clássicos da Disney. Para quebrar comportamentos negativos de pessoas que tentam suprir alguma necessidade da forma errada, acredita-se em quebrar o padrão demonstrado pela pessoa. Por exemplo, se alguém demonstra tristeza para receber atenção, uma forma de quebrar esse comportamento seria o uso de humor com um resultado diferente do esperado pela pessoa. E nisso o filme de Shrek se sai muito bem. O próprio inicio já começa com uma quebra na expectativa da audiência. Quando Shrek fecha o livro de contos de fadas, falando que aquilo não existe e aparece, o público se choca ao ver que o personagem principal é um ogro.

Muitos valores transmitidos por contos clássicos estão enraizados e causam uma dualidade em nossa sociedade. A adoração a beleza física, o apego a títulos (no caso do Lorde que queria ser um rei), a submissão das mulheres aos homens são satirizados no filme. Muitas pessoas ainda creem que devem seguir esses valores e acabam casando por motivos errados, trabalhando com coisas que não gostam, e seguindo convenções para formar um bom olhar de terceiros. Pensar dessa maneira limita o alcance do potencial real da manifestação da essência da pessoa de forma objetiva. O uso de sátiras e humor ajuda a quebrar esses pensamentos limitantes, reestruturando eles de forma mais construtiva e revitalizadora.

Todos os personagens enfrentam dificuldades por destoarem em algum ponto do que é esperado de seus modelos. O filme abre os olhos do espectador, para que este perceba que é mais fácil assumir características que destoam do ideal, do que lutar contra si mesmo para se enquadrar.

Dentre as maiores questões que os personagens enfrentam estão: a busca de uma identidade, a repressão de características da personalidade, o isolamento como forma de proteção.

Tendemos a acreditar que nossa personalidade tem apenas uma face. O que acontece na verdade é que de acordo com as situações mudamos nossa forma de reagir. Somos pessoas diferentes com nossos amigos, família, chefes. Shrek acolhe a imagem que as pessoas esperam dele para garantir que elas se afastarão. Quando Shrek está sozinho, no entanto, manifesta uma personalidade bem diferente da que usa para espantar os outros. Assim, ele não corre o risco de sofrer com preconceitos. Shrek cria uma ilusão de que está satisfeito sozinho.

A relação de Shrek com o burro é uma relação que ele rejeita inicialmente, e só aceita porque lhe servirá para alcançar outro objetivo. O burro parece não conhecer o estereotipo do ogro e os riscos que isso poderia representar, então nunca se intimida diante do comportamento de Shrek. Este tenta de todas as formas afasta-lo, é cruel e não reconhece nada do que ele faz, como o próprio burro diz a Shrek no final do filme. Mas essa relação forçada é uma porta de entrada para a futura relação com Fiona. É com o burro que Shrek aprende a se envolver e se comunicar.

O burro enxerga além do fato de Shrek ser um ogro. Para verificar se suas teorias estão certas ele faz experiências. Ele testa se Shrek o aceitará como parceiro para ir a Duloc resgatar seu pântano, Shrek passa. O burro consegue desenvolver conversas com Shrek, na cena que veem as estrelas, por exemplo. Ele enfrenta Shrek finalmente com o que  assume que é a verdade sobre o comportamento do ogro perante os outros que é “que ele está tão envolvido em camadas que tem medo do próprio sentimento”. O burro consegue fazer Shrek criar consciência disso e tentar mudar seu comportamento indo atrás da princesa.

O primeiro ponto de virada no comportamento de Shrek, em que percebemos uma mudança do ogro que quer ser solitário para alguém que sabe se relacionar é quando ele oferece apoio emocional para o burro atravessar a ponte. A relação passa a exigir trocas, já que agora Shrek tem um objetivo em comum com o burro, recuperar seu pântano. A relação nesse ponto, no entanto, ainda é superficial, já que o objetivo não faz parte dos ideais do burro.

O objetivo do burro ao ir nessa jornada com Shrek é criar uma amizade. Para Shrek, em compensação, seu objetivo é recuperar o pântano, viver sozinho e ser deixado em paz. Como não há uma parceria em relação aos objetivos nesse ponto, a relação de ambos ainda é frágil.

Precisamos compreender que a vontade de transformar seu comportamento, parte de Shrek. O burro o auxilia porque ele permite. Existem casos em que os “Shreks” que conhecemos estão tão profundamente inconscientes que não ouviriam ninguém a respeito de suas camadas. E casos em que estão tão centrados em si mesmos que não conseguem ver o outro como Shrek viu o burro e Fiona.

Fiona demonstra uma dualidade em seu comportamento.  Sua oscilação física, princesa de dia, ogra a noite demonstra uma oscilação de busca da sua identidade.

A princesa se esconde sempre que vira ogra pelo medo da rejeição dos outros a imagem dela. Mas quando está em sua forma de princesa ela tem em sua essência características de ogra, como arrotar, comer ratos, fazer um algodão doce com moscas e teias de aranha, lutar destemidamente com os parceiros de Robin Hood, e gritar com Shrek e lhe dar ordens. E essas características deixam-na satisfeita, o que é claramente demonstrado quando ela sente uma tristeza em pensar que tipo de comida vai ter que comer no castelo.  Mas a princesa luta contra suas características essenciais para seguir o modelo de princesa perfeita. Ela fala palavras em forma de poema para agradecer a Shrek, acha que ele devia ter ido busca-la com um cavalo.

O filme ridiculariza a bondade excessiva de princesas de clássicos como A Branca de Neve e a Bela Adormecida. Na cena em que a princesa canta com um tom tão agudo que mata o pássaro, ela pega seus ovos e os frita para o café da manhã.

Fiona acredita que a forma de Shrek salva-la da torre deveria ter seguido um roteiro totalmente diferente do que aconteceu. Mas o roteiro dela era imposto pelo meio externo e não por seus desejos reais. Fazemos isso com frequência. Ao colocar expectativas em outras pessoas ou em resultados de nossas ações baseados no que ouvimos os outros falar e não em nossas experiências de se aquilo nos faz sentir bem ou não. A quebra da expectativa de Fiona faz com que a princesa não enxergue suas semelhanças com Shrek e ambicione ficar com o ganancioso Lorde Farquard, que na verdade só queria casar com ela pelo título de Rei. Corremos o risco de fazer isso em relacionamentos e projetos também. A quebra de expectativas faz com que os abandonemos antes mesmo de saber se seus resultados nos trariam sentimentos bons ou ruins, apenas para corresponder ao que esperam de nós.

Fiona e Shrek enfrentam dificuldades com sua identidade. Ele oscila entre ser o ogro que a sociedade define e o príncipe que salva Fiona. E ela oscila no mesmo ponto, em ser a princesa de acordo com  que os outros esperam e assumir suas características de ogra.

Shrek e fiona tentam bloquear o envolvimento com outros por medo da rejeição. Ambos os personagens pegam conversas pela metade e acham mais fácil concluir que seus pares estavam falando que o outro é “horrível e que ninguém poderia ama-lo.” É muito humano concluir que os outros estão pensando coisas diferentes do que na verdade estão. Por isso é importante uma comunicação clara, que não deixe margem para mal entendidos.

Shrek e Fiona se tornaram como tantos de nós que veem a si mesmos pelo olhar do outro. E muito do que fazem, é pela perspectiva dos outros. Mas o problema disso é que exige muito esforço, e as coisas podem ser mais leves.  Ambos criaram uma resistência ao desejo que tinham. Quando acabaram com a resistência ambos ganharam.

 

Existe uma tendência das pessoas de tentar encaixar tudo com o que se deparam em categorias. É fácil tentar criar uma identidade para as pessoas baseado em nossas pre-concepções de estereotipos. Isso acarreta em preconceitos e generalizações. Quem mais sofre com isso são classes marginalizadas, como estrangeiros, mulheres, negros. Shrek e Fiona representam essas classes no filme. Mas pessoas que não se enquadram nessas classes podem tentar disfarçar características que poderiam comprometer sua imagem. Um exemplo são homens que tentam disfarçar seus sentimentos, o que é tão destrutivo quanto Fiona esconder seu lado ogra.

Alguns dos pensamentos que criamos podem se tornar reais se nos comportarmos de forma que  os validem. Por exemplo, acreditar que um aluno é super inteligente faz com que professores lhes deem mais atenção, fazendo com que o esforço do aluno seja maior e acarretando em um maior desempenho desse aluno. Shrek se comporta no começo do filme de forma que valida que todos acham ele horroroso e o temem. Isso cria um ciclo que o prende na forma preconcebida de ogro e não permite que ele se expanda para suas características que são diferentes do que esperam dele.

 

Por ser um filme pós-moderno algumas das motivações dos personagens são desvendadas pelas falas entre eles. No caso de Lorde Farquard, por exemplo, Shrek comenta que ele deve estar compensando por alguma coisa com o tamanho do seu castelo. Em um trocadilho Shrek também indica o sentimento de inferioridade de Farquard por sua altura que é chocante para a sociedade pela diferença do que é considerado belo. O lorde tenta compensar isso com obras enormes e posicionando-se no mais alto nível da hierarquia.

O trocadilho do final do filme ilustra que quando escolhemos um caminho no qual podemos assumir nossa identidade sem dar grande importância a valores superficiais impostos pela sociedade saímos ganhando. Trocar o tradicional  “e eles viveram felizes para sempre” pelo “e eles viveram feios para sempre” acaba com a ilusão de que podemos ter uma vida eternamente feliz. E serve como trocadilho para demonstrar que o feio também pode ser feliz, quebrando paradigmas de que tudo que é belo é superior.

Os valores transmitidos por contos clássicos são rígidos, difíceis de alcançar e fazem promessas impossíveis como viver feliz para sempre. Shrek da mais leveza a assumir nossas próprias diferenças, incorporar características que as vezes parecem feias ao outro mas que nos satisfazem e sem grandes promessas, já que no final da história ninguém quer viver feio para sempre. No mundo objetivo, quem incorpora o feio acaba achando ele bonito.

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Um lembrete de Walt Disney

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“ Cometi um erro todas as vezes em que caminhei em uma direção onde na verdade não sentia as coisas. E eu realmente tentei dar uma de espertinho.”

Não é somente o Sr, Sr Disney. A maioria de nós tenta. Uma das histórias mais surpreendentes que já ouvi é a de Silvester Stallone. Quando casado ele passou anos sem trabalhar para não perder o foco em seu objetivo. Foi despejado, teve que vender as joias de sua mulher e depois teve que vender seu cachorro, perdendo tudo o que tinha. Inclusive a mulher. A maioria das pessoas não deixaria chegar nesse ponto, porque arranjaria um emprego em qualquer coisa que os sustentasse e pudesse protege-lo de uma mulher raivosa por vender suas joias. Mas o foco e a fé de Stallone eram tão grandes, que mesmo no fundo do poço ele recusou uma oferta de 500 mil dólares por um script de seu primeiro filme, para poder estrelar no filme como ator. Ele realmente não tentou dar uma de espertinho para cima de si mesmo. Stallone sempre soube o que queria, e nunca se contentou com menos do que merecia. O resultado: Ele teve o que pediu.

Muitos de nós temos dificuldade em determinar o que realmente desejamos, o que nos satisfaz. Há, no entanto, sempre uma força nos empurrando na direção que devemos seguir. Alguns caminhos nos servem como ponte para onde devemos chegar. Então a força que nos empurra, não está necessariamente nos levando para o objetivo de nossas vidas. Pode ser que esteja nos empurrando para um lugar onde devemos passar para aprender algo que vai nos levar para o objetivo de nossas vidas depois.

Como saber a direção certa então: Através de nossos sentimentos. Há uma pressão da sociedade para que as pessoas conduzam suas vidas em um caminho que é conforme o padrão determinado. Quando conduzimos nossas vidas de acordo com essa pressão podemos deixar de sentir os nossos verdadeiros desejos. Aí começa uma pressão interna. Essa é constante, mas muitos passam a vida ignorando ela. Uma vida cometendo esse erro.

“ Guerras estão sendo travadas enquanto o filme se desenrola; crimes estão sendo cometidos; ódios estão sendo cultivados; distúrbios estão sendo gerados. Mas o mundo se desvanece quando o Sr Disney começa a tecer sua magia, e a fantasia assume o comando.”

Quando você vive conforme sua essência, todos em volta vivem também.

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O pior e o melhor conselho do mundo!

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Seja você mesmo! Exatamente, o pior e o melhor conselho do mundo é um só e ele é quando falam: “ Seja você mesmo”

Mas como pode ser que um só conselho seja tão bom e tão ruim assim ao mesmo tempo? Depende da interpretação de pra quem você dá ele.

Quando você fala pra alguém ser ele mesmo e a pessoa interpreta seu conselho como se tudo que ela fizer for justificado por que aquilo é  “ser ela mesma”, você deu o pior conselho do mundo.” Eu não preciso me esforçar pra ser melhor no meu trabalho, porque é assim que eu sou. Eu não preciso controlar minha raiva com meu filhos, porque deus me fez assim. Pra que buscar ser mais racional, se eu sou uma pessoa impulsiva”? Se seu conselho serviu de justificativa para ficar estagnado, foi um péssimo conselho.

Agora, acontece exatamente ao contrário quando você fala “ seja você mesmo” para alguém que está preparado para ouvir esse conselho. Quando a pessoa entende que ser ela mesma quer dizer que ela se sente confortável fazendo e dizendo as coisas que ela tem vontade de fazer e dizer e encontrando maneiras de evoluir nas coisas que ela não faz de acordo com o que gostaria que fossem, aí você deu o melhor conselho do mundo.

Portanto, cuidado com suas palavras, elas podem se tornar verdade para o bem e para o mal. Então a próxima vez que você pedir para alguém ser “ele mesmo” certifique-se de que a mentalidade da pessoa está em uma frequência positiva e de que ela vai usar seu conselho da melhor maneira possível!

Por trás da MáscaraTodos os Posts

A Pequena Sereia

RESUMO

A história começa com alguns navegantes que acreditavam em encantos de sereia. Para eles o humor do rei Tritão tinha influência sobre os mares.

O rei Tritão conduzia festas em que suas filhas cantavam . Ele ficava especialmente entusiasmado com sua filha Ariel, que não aparece para os ensaios mas tem uma linda voz.

Ariel tem um peixinho chamado Linguado, que é seu companheiro. O peixe tem medo de se arriscar em aventuras da sereia, mas ela sempre o convence . Ariel coleciona objetos da humanidade que encontra em navios naufragados. Ela tem uma gaivota que a ajuda a identificar, erroneamente, a utilidade dos materiais que encontra.

Úrsula, a bruxa dos mares, observa Ariel e a vê como um possível instrumento para a destruição do rei Tritão.

O rei segue o conselho de Sebastião (seu siri escudeiro) de manter a sereia sob controle. Ele fala para o siri vigia-la. Este descobre uma caverna repleta de itens do mundo humano . A sereia diz ser uma menina que parece ter tudo, mas anseia por mais. Ela quer estar onde estão as pessoas. Ela quer fazer parte do mundo dos humanos.

Em uma festa no barco, Ariel nada até  a superfície e vê pela primeira vez o príncipe Eric, que a deixa encantada. Eric ganha uma escultura de si mesmo em sua homenagem. E o homem que a mandou fazer fala que esperava entrega-la em seu casamento. Mas o príncipe não encontrou a mulher certa ainda. Seu barco naufraga e a pequena sereia o salva. Ela canta para ele que fica encantado com sua linda voz.

A bruxa percebe sua oportunidade, fácil demais, de derrotar o rei. A paixão da sereia por um príncipe humano vai facilitar as coisas para que a bruxa ponha seu feitiço sobre ela.

Ariel fica sonhando com a vida na terra e pensando em como encontrar o príncipe. Sebastião a alerta que a grama do vizinho é sempre mais verde e que a vida é ótima em baixo do mar. Ariel consegue a estátua de Eric e seu pai descobre sua caverna. Em um ataque de fúria destrói tudo com seu tritão.

Duas enguias visitam Ariel e propõe ter todos os seus sonhos realizados se ela visitar a bruxa dos mares. Ela se recusa inicialmente, mas acaba cedendo.

Ursula, diz à pequena sereia que a única maneira de conseguir o que ela quer é se tornar humana. Seu papel é ajudar pobres almas sem ter a quem recorrer. O trato é ela se tornar humana e o príncipe deve beija-la em três dias. Mas se não fizer isso Ariel volta a ser sereia e passa a pertencer a bruxa para sempre. Como pagamento a sereia deve dar sua voz para Ursula. Ela diz que os humanos não gostam de mulheres que falam muito, preferem as quietas.

Ariel assina o trato com Ursula, que pega sua voz e lhe da pernas no lugar de sua barbatana. Eric encontra a pequena sereia e tenta lembrar dela, mas quando vê que ela não tem voz, conclui que ela não poderia ser quem ele pensou. Leva-a para seu castelo. No jantar a convidada usa o garfo para pentear seu cabelo.

Os humanos comem peixes e siris. Ariel salva Sebastiao de ser devorado por eles. Está admirada com o mundo terrestre. Seu pai a procura por todo lugar. Ela age como criança com suas novas descobertas. O príncipe leva-a num passeio de barco e quase a beija, mas seu barco é virado antes que isso aconteça. Eric demonstra atração pela sereia, mas ainda anseia pela voz com a qual ele se encantou.

A bruxa se transforma em uma linda mulher e seduz o príncipe com a voz de Ariel. Eric marca seu casamento imediatamente. Os bichos do mar atacam a bruxa. Seu colar com a voz de Ariel quebra, trazendo sua voz e o príncipe de volta para a sereia. Mas é tarde demais para ele beija-la.

Ursula a faz de refém e oferece um trato ao rei tritão para liberta-la. Ele topa e ela pega todo seu poder. Eric busca ajudar Ariel porque não quer mais deixa-la. Ele consegue derrotar Ursula. E todos os seus prisioneiros ficam livres. Tritão vê que Ariel realmente ama Eric e transforma ela em ser humano.  Eles se casam.

 

ANÁLISE DO COACHING

A história de Ariel, no mundo real, pode trazer ideias que comprometem a essência das mulheres ao tentar manter sua identidade. Ariel salva o príncipe Eric e se apaixona por ele de imediato. Ele, apesar de ter uma vaga lembrança de sua voz ainda não conhece a sereia. Mesmo assim ela faz um pacto com Úrsula, que é definida por Sebastião como um demônio, para conseguir ficar com Eric.

 

A versão da vida real dessa história , seria pessoas entrando de cabeça em um romance, comprometendo suas necessidades e padrões mais profundos. Apenas porque querem a pessoa em sua frente.  A esperança de ver o homem mudar para se tornar o que a mulher quer é a aposta mais perigosa que alguém pode fazer em um relacionamento. Não que seja errado, mas é muito arriscado, porque a pessoa da tanto tempo a alguém que nunca mudou. Alguém que sempre demonstrou sinais de como seria a relação.  Se prestarmos atenção aos sinais de alerta ao longo do caminho, veremos que eles indicam em que direção nosso esforço está nos levando.

As pessoas mudam sim, mas só quando elas estão motivadas internamente. Deve haver uma decisão própria de mudança, e não uma força externa.

É diferente quando alguém que amamos reconhece que precisamos que mudem e decide que é fundamental a eles que o façam. Até ser importante para eles e não apenas para você, essa mudança não ocorrerá. E se ocorrer, não vai durar.

Perceber isso esclarece que esse tipo de aposta não é o único jogo que podemos fazer. Que há inúmeras opções que nos deixariam mais felizes e não nos fariam colocar tanta energia em algo que não nos trará o resultado pelo qual tanto ansiamos.

 

A mídia reforça a imagem de que passar por um drama, sofrer, superar obstáculos para enfim mudar uma pessoa é um caminho a ser seguido para se encontrar  a felicidade em um relacionamento. Filmes como 50 tons de cinza,  séries como Gossip Girl, tem o personagem central constantemente lutando para que a pessoa de seu desejo enfim se torne seu ideal.

Não podemos condenar completamente a mídia por transmitir esse tipo de ideal. A partir do momento em que mulheres acatam esse tipo de mensagem como sendo verdades absolutas, tornam sua prisão a um modelo ideal destrutivo um ciclo vicioso. Os filmes que mostram o drama de uma mulher que sofreu para conseguir o que queria são os que vendem. Mulheres vão ao cinema assistir ao Christian Grey e saem de lá hipnotizadas. Querendo um homem daqueles para elas. Acreditando cegamente que passar por um drama é bom para um relacionamento.

 

Deveria se escutar mais quando falam que um casamento acaba porque as mulheres acreditam que vão mudar os homens, e os homens acham que as mulheres nunca vão mudar.  O que acontece é o inverso, porque está implantado na cabeça da maioria das mulheres que os homens precisam mudar. Assim conseguiriam aquele ideal de romance que sempre viram se tornar verdade desde que eram pequenas e assistiam “A Pequena Sereia”

 

Ariel tem uma paixão pelo mundo dos humanos. Imagina que todos achariam que tem tudo o que precisa, mas quer conviver com pessoas. Ela diz que daria tudo para viver a vida que acredita que eles levam.  As pessoas tem tendência de superestimar conquistas e formas de viver que estão fora de seu alcance. É fácil considerar “a grama do vizinho mais verde” sem ter passado pelo que passaram para chegar onde estão.

 

Existe um padrão atualmente de como devemos viver nossas vidas para que sejamos “felizes”, ser bem sucedido profissionalmente, casar, ter filhos, ter um bom relacionamento com sua família. Assim como a pequena sereia idealiza um mundo que na verdade  desconhece, nós idealizamos conquistas as quais ainda não alcançamos.  Todas podem ser boas e nos trazer felicidade. Mas apenas se buscadas da maneira correta. O que acontece é que as pessoas ficam tão obcecadas em conseguir alcançar tais metas, que para isso passam por cima de sua individualidade, de outras pessoas, se submetendo a chefes centralizadores, namorados e namoradas que tratam o conjugue como um objeto e para manter o relacionamento o individuo abre mão de partes essenciais de si, consequentemente sofrendo uma automutilação.

 

Em troca de ter a vida ideal a sereia oferece seu maior dom para a  bruxa dos mares, sua voz. De todas as sereias do mar seu pai ansiava apenas pela voz de Ariel, que era a mais bela no dia de seu concerto. É através de sua voz que consegue com que os outros façam coisas por ela, como convencer um peixe muito medroso de acompanha-la em suas aventuras. E é através de sua voz que chama a atenção do príncipe. De todo o conjunto da sereia, a característica que o príncipe guarda é sua voz. É dela que o príncipe não consegue esquecer, apenas de sua voz, e é justamente disso que a sereia em sua ansiedade de obter seu amor a qualquer custo, abre mão.

Diante de dificuldades o ser humano busca abreviar seu caminho para obter prazer mais rapidamente. Nessas tentativas acaba-se entrando em vícios, que superficial e momentaneamente nos satisfazem. O que acontece é que quando optamos por um vício, estamos optando também por não buscar soluções concretas para nossos obstáculos. Quando se deixa de lado a necessidade de soluções paramos de crescer. Com a estagnação de uma pessoa, ela deixa de sentir prazer por quem ela é. Então, sua única fonte de prazer será o vício. Ele é breve, passageiro, mas aparentemente ainda é um prazer, que recobre as necessidades reais da pessoa que opta por ele, e uma possível saída mais duradoura, de situações que aprisionam.

No caso da pequena sereia, seu sofrimento pelo príncipe Eric e pela injustiça que seu pai cometia com ela, de proibi-la de entrar em contato com o mundo dos humanos estava intolerável. A única forma que ela conseguiu enxergar de se livrar dele era fazer um pacto com a bruxa dos mares. As enguias que a convenciam que ela devia seguir esse caminho representam as tentações que os seres humanos sofrem antes de entrar para o mundo de um vício.

A primeira impressão de Ariel era a de que seria uma loucura falar com a bruxa dos mares. Mas ela descarta sua intuição e segue seu desejo, colocando-se em risco de perder seu maior dom para o resto de sua vida, sua voz. Ariel ainda topa perder sua natureza ( sua cauda de sereia) e arrisca perder sua liberdade, pois se não conquistasse o príncipe a tempo estaria condenada a ser escrava da bruxa dos mares para o resto de sua vida. As enguias representam portanto as portas de entrada para o mundo dos vícios: um amigo que oferece drogas, um homem bonito ( que disfraça agressões a mulher) , um padrão de comportamento imposto pelo meio, etc.

A pequena sereia faz um trato com a bruxa e coloca seu destino nas mãos do príncipe. Assim, ela perde todo o controle de seu destino e se coloca como dependente de um terceiro.  O amor verdadeiro se manifesta quando estamos alinhados com nosso propósito. Quando isso acontece, a união com o outro traz prazer, alegria, mas isso parte de um sentimento que já existia antes nos dois individualmente. A felicidade individual não depende do outro. O que Ariel faz no filme é colocar sua felicidade nas mãos do príncipe. A partir daí não existe amor verdadeiro, pois a felicidade dela depende das ações de um terceiro, que se seguirem um esquema, podem fazer a sereia muito feliz. Mas se as coisas não forem conforme o que ela espera sua vida pode vir a ruir. Isso não é amor, é dependência.

Ursula ainda fala que homens não gostam de mulheres que falam muito, preferem as quietas. Sua frase reforça um comportamento de anulação, comum em mulheres que pensam que devem falar pouco para se encaixar no modelo de “sexo frágil”. Criar esse tipo de mentalidade, faz com que os relacionamentos fiquem destrutivos para ambos os lados. Toda vez que uma mulher não tem voz ela pode ter rompantes de estresse para aliviar os sentimentos que acumula, ou entrar em depressão. De qualquer maneira o relacionamento é prejudicado.

Em seu reencontro com Eric, Ariel já está sem voz. O príncipe percebe que ela não poderia ser a mulher por quem ele se apaixonou, pois ela não tem aquela voz que o atraiu inicialmente. Isso acontece com muitas mulheres. O homem se atrai por uma característica bela, e em sua ânsia de construir um personagem de acordo com o que a sociedade manda, ela anula a característica. Na verdade era o que formava sua beleza essencial. Assim, quem inicialmente se sentiu atraído se confunde, buscando resgatar, em vão, aquilo que ela tinha de melhor.

Ariel não se impressiona quando tentam comer seu fiel amigo,  o siri Sebastião. Ele corre um risco sério, e se ela seguisse sua natureza, aquilo deixaria a sereia horrorizada. Tinham acabado de tentar assassinar seu amigo, mas ela está tão deslumbrada com o novo mundo que desconsidera o fato. Muitas relações abusivas passam por isso. Mulheres ficam tão envolvidas com uma qualidade, como um homem muito bonito, um homem rico, um prazer corriqueiro, uma boa eloquência, que fecham os olhos para fatores destrutivos como traições, agressões físicas, agressões verbais. Isso destrói a essência da mulher, mas ela continua se prendendo ao fato de que pelo menos tem um homem para mostrar.

Mesmo que exista um relacionamento, quando a mulher não está em sua essência, a relação ansiará por algo mais. Na cena em que o príncipe está na canoa com Ariel, ele quase a beija( o que estabeleceria uma relação), mesmo assim ele ainda anseia pela voz que o seduziu inicialmente.

Ariel acaba derrotando a bruxa e se casando com o príncipe. Ela precisa detonar com o ser que queria destruir sua natureza para conseguir ter seu final feliz. No filme, no entanto, Ariel passa a viver em um mundo que não é seu. Para uma história de crianças é bonito de contar. Mas usando como metáfora, a continuação desse casamento teria sido muito mais feliz se nenhum dos personagens tivesse perdido uma parte de si. Não se deve abrir mão de nossas barbatanas para encantar príncipes que vimos poucas vezes na praia.

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O lado negro de comportamentos positivos

ShadowPuppet

 

Existem muitos comportamentos que sabemos que se praticarmos e transformarmos em hábitos nos trarão resultados que buscamos. Faz parte, no entanto de nosso processo de crescimento estarmos sempre monitorando nossas ações. Isso porque todo comportamento, tem seu lado da sombra. Se pendermos demais a nos comportar de uma maneira específica, podemos acabar resvalando para seu lado negativo, e aí nossos resultados começam a mudar, e se não nos dermos conta logo, começam a nos prejudicar.

Persistência> Teimosia

A luz, canções de Mozart, desenhos animados, a equação mais famosa do mundo, o telefone. Nada disso existiria se seus criadores não soubessem como se comportar com persistência. Estabeleceram um objetivo, acreditaram que iam alcançar ele e foram traçando novas rotas até conquistar o que queriam. Teve gente que fracassou por mais de 10 anos, outros fracassaram mais de nove mil tentativas. Mas todos ficaram conhecidos para além de sua vida na terra, porque de algum modo mudaram o rumo da humanidade. Então seria ou não positivo ter uma característica que seja capaz de te levar a esse nível de desenvolvimento? Seria! Com certeza! Mas as medidas são importantes. O que acontece é que muitas vezes sabemos o que devemos fazer, mas por nunca ter feito antes, agimos de uma maneira que é sutilmente diferente do que a maneira que nossos modelos seguiram, o que nos traz resultados frustrantes. No caso da persistência, quando nos equivocamos na dose, caímos na sua sombra que é a teimosia. Tentamos uma vez, fracassamos. Tentamos mais uma vez, fazendo as mesmas coisas, fracassamos de novo. Alguém nos dá uma sugestão, respondemos que não vamos desistir, fazemos de volta a mesma coisa do que na primeira vez, fracassamos de novo. Isso é teimosia. Persistência consiste em mudarmos nossas estratégias, para atingir resultados diferentes. Vocês já devem ter ouvido falar que é “ loucura fazer a mesma coisa esperando resultados diferentes”, e é verdade, além de loucura, isso é também teimosia.

Autoconfiança>Arrogância

Acreditar em si mesmo é talvez uma das características mais importantes para o sucesso e a felicidade. Autoconfiança não inclui apenas fé, como também conhecer a si próprio, o que faz parte de você e o que faz parte do outro, como você pode agir em situações específicas e qual posicionamento será o melhor para sua satisfação a longo prazo. Pessoas autoconfiantes sabem que todos são capazes de produzir resultados, se focarem seus esforços em algo que lhes traz energia e paixão. O que acontece então se cairmos no lado da sombra desse comportamento? A arrogância. É acreditar que porque você conquistou algo, é melhor do que as outras pessoas. Sentir-se superior. Geralmente o comportamento da arrogância é instável e deixa quem o pratica em uma posição oscilante entre se considerar melhor do que todos, e se considerar inferior aos outros. A arrogância deixa as pessoas vulneráveis a suas próprias falhas, pois nos tira da condição de humanos e nos faz ter uma autoimagem de super herói. Quando acontecem as falhas, que são inevitáveis, os arrogantes veem estas como piores do que são e se colocam em uma posição de inferiores aos que estão ao seu redor, apesar de não demonstrarem isso externamente. Às vezes demonstram acentuando sua posição de superioridade para se reafirmarem, o que faz com que vivam em uma gangorra viciosa.

Carinho> Pegajoso

Se sentir amado é uma necessidade básica do ser humano. Uma forma de demonstrar seu amor por alguém é dando a esta pessoa carinho e atenção. Com tantas informações vindo a tona de meios diferentes, televisão, telefone, rádio, computador, dar seu foco a uma pessoa faz ela realmente se sentir especial, compreendido e reconhecido. Isso é realmente no que se baseia o relacionar-se: dar atenção total a necessidade do outro. Chegamos a mais um ponto em que podemos nos perder. Quando ficamos tão concentrados na necessidade do outro que deixamos nossas próprias necessidades de lado, passamos a dar mais do que nosso parceiro realmente precisa. Às vezes isso se torna uma invasão de seu espaço e faz com que queira se afastar. Todos precisamos de um espaço para sermos únicos, ter nossa própria identidade. Não deixe a sua de lado para agradar.

Energia> Fúria

É lei que a energia não pode ser criada, nem destruída, apenas transformada. E essa lei vale para a energia psíquica também. Quando a usamos da maneira correta obtemos o que gostaríamos, disposição e vitalidade. Fazemos nossas tarefas com um sorriso na cara, um sentimento de prazer, voltamos para casa descabeladas e cansadas, mas com um brilho nos olhos. O lado negro da energia é não aplica-la no que lhe dá força. Deixar a energia se acumular pode ser destrutivo de diversas maneiras, já que uma hora ela terá que sair. Pode ser através de um ataque de fúria, de uma crise de stress, ou até mesmo de uma doença física. Aplicar sua energia além da conta, pode ser destrutivo também. Trabalhar o dia todo te afasta de aspectos importantes de sua vida, como a família, amigos, e até mesmo saúde.

Identidade> Egoísmo

Quem sou eu? É essa pergunta que sua identidade responde. Do que você gosta, qual a profissão dos seus sonhos, qual sua comida preferida, que tipo de música gosta de escutar, o que te faz bem, o que te faz mal, qual é a sua tribo. Quem sabe responder essas e outras perguntas a respeito de si próprio sem influência externa tem uma identidade, aquilo que te torna único, que faz de você único. Todos precisamos de características que nos torna indivíduos. E todos somos diferentes. Por esse motivo, quando vamos para o lado da sombra acolhemos como correto apenas nossas próprias características, descartando a necessidade de outras pessoas também terem suas identidades, acolhendo atributos diferentes dos nossos. Muitas vezes queremos forçar nossa individualidade no outro, impor nossas opiniões e obter vantagens especiais de resultados de esforços conjuntos. Isso é egoísmo. Há uma diferença entre ser único e querer que todos sejam como você quer, e ela não é tão sutil quanto parece a primeira vista.

Exigência de Qualidade> Perfeccionismo

Exigir qualidade é fundamental  para se desenvolver. Sempre há algo que pode ser melhorado ou acrescentado a o que quer que façamos. Podemos surpreender clientes, amigos, parceiros com a entrega de algo de valor maior do que o esperado.  Estar constantemente fazendo as perguntas certas para encontrar o caminho da evolução é exigir qualidade. Já o perfeccionismo é um defeito que muitas pessoas tratam como sinônimo de coisa boa. Ele nos paralisa. Muitas vezes esperamos o momento em que tudo estiver como imaginamos que deve ser para dar inicio aquele tão esperado sonho. Tem gente que está há 20, 30 anos esperando e vai continuar pelos próximos 30. Não existe perfeito, quando alcançamos nossos ideais, vemos que tem algo mais que pode ser acrescentado, que pode deixar nosso trabalho melhor. Sempre há o que aprender. O perfeccionismo ilude as pessoas quanto ao futuro e é uma boa desculpa ( mas não perfeita) de porque deveremos deixar para amanhã. Exigir qualidade só é possível em coisas já realizadas e concretas. Caso contrário, torna-se perfeccionismo. E não devemos esquecer nunca de que  “ feito é melhor do que perfeito”

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A pressa é amiga da perfeição

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“  A pressa é inimiga da perfeição”

“Dinheiro não dá em árvore”

“Homens- mulheres são todos(as) iguais”

Quem nunca disse uma frase dessas com orgulho em alguma época da vida que atire a primeira pedra.

Sim, que atire a primeira pedra , porque falar uma frase dessas e acreditar nela é um pecado. Pensamentos limitadores fazem com que a gente viva frequentemente o mesmo ciclo em nossa vida. Nós primeiro acreditamos, aí fazemos e por fim somos. Então você é o que você acredita.

Uma pessoa que pense, por exemplo, que é muito difícil ser bem sucedido e que todos os seus esforços são em vão, tende a não se esforçar, porque já de antemão ela pensa que não vai conseguir chegar onde deseja. Isso cria um ciclo vicioso, pois quanto menos ela se esforça,menos resultado tem em sua vida, acreditando mais firmemente que tudo que ela faz é em vão, sem se dar conta de que na verdade ela não está fazendo nada.

Acreditar que dinheiro não dá em árvore é um pensamento muito limitador, porque coloca o dinheiro em um pedestal, como se ele fosse raro e quase impossível de alcançar. Mais uma vez a  pessoa que tem essa crença entra em um ciclo vicioso, pois ela acredita que dinheiro é tão difícil de alcançar, que só pessoas que nasceram para isso podem conseguir ter dinheiro, o que faz com que não se esforcem e não ajam em direção a uma vida mais abundante.

Acreditar que homens ou mulheres são todos iguais coloca a pessoa em um estado de alerta, fazendo com que ela tenha que tomar cuidado com qualquer perspectiva de relacionamento que se aproxime. A pessoa que tem essa crença muito forte se defende de situações que só acontecem em sua imaginação, o que gera outro ciclo vicioso negativo. Daí, saem os padrões que nossos comportamentos seguem, de nossos pensamentos.

Mas o pensamento mais limitador que alguém pode ter é o de que “a pressa é inimiga da perfeição”. Esse pensamento leva a um dos piores ciclos viciosos, porque abrange todas as áreas da vida de uma pessoa. Seja no trabalho, em relacionamentos, em exercícios físicos, ou alimentação, a pessoa que tem esse pensamento espera a perfeição para iniciar algo. Acontece que o ser humano é cheio de falhas, e portanto pode fazer algo o mais perfeito possível que não estará ainda em estado de perfeição.  Esperando a perfeição a pessoa fica inerte, vendo a vida passar para um dia quem sabe, lançar algo com maestria. Acontece que a pressa é na verdade amiga da perfeição. A ordem certa é fazer primeiro e depois aperfeiçoar. Então tenha pressa, quanto antes você fizer, mais rápido pode começar a melhorar, a desenvolver , a aperfeiçoar. E no final das contas, não é isso que você quer?Ter algo para poder deixar cada vez mais perfeito? Comece.

 

Por trás da Máscara

Sherlock Holmes

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RESUMO

“É um grande erro criar teorias antes de analisar as informações. Inevitavelmente acontecerá uma distorção dos fatos para se encaixar a teoria em vez de teorias para se enquadrar aos fatos.” Sherlock Holmes é completamente racional. Qualquer conclusão a que ele chegue é sustentada por fatos e evidências. Sherlock pensa e age em direção a soluções de seus casos. Nenhuma de suas ações é impulsiva e suas emoções são completamente reprimidas para que não interfiram em seu raciocínio lógico.

Holmes é o famoso detetive de Conan Doyle que usa pequenos detalhes observáveis para fazer deduções sobre grandes fatos de ocorrências e comportamentos que o ajudem a solucionar um mistério. Falaremos mais sobre o caso do filme estrelado por Robert Downey Junior em que o detetive enfrenta um período de mudança de seu leal companheiro Watson que irá se casar com Mary e se mudar de Baker Street, onde mora com Holmes.

O caso é o de Lorde Blackwood. Holmes corre na primeira cena e encontra um homem tentando impedi-lo de evitar que uma menina morra nas mãos de Blackwood.

“Cabeça inclindada para esquerda, surdez parcial de uma orelha, primeiro ponto de ataque. Segundo, garganta. Paraliso cordas vocais, ele para de gritar. Terceiro ele deve beber muito. Soco no fígado. . Quarto, ele arrasta a perna esquerda. Soco no joelho. Ele vai recuperar a consciência em 90 segundos. A habilidade marcial em 15 minutos. Recuperacão total improvável. “

Em segundos, o homem está abaixo. Em segundos, a estratégia foi feita de detalhes observados e Holmes evita o assassinato da menina.

Por seus crimes, Blackwood é condenado a forca. Ele alerta a todos que ‘a morte é apenas o começo’.

Ora, não há nada que estimule mais Holmes do que um desafio mental, talvez por isso ele encontre tanta gente que o provoque em sua sagacidade. É o fato de chegar em sua própria casa e encontrar Irene Adler, a única mulher que ele amou e que foi mais esperta do que ele duas vezes. Estranho toque do acaso Adler é uma criminosa e está trabalhando para alguém que Holmes espera descobrir.

O uso de disfarces, busca em lugares, observação de mudanças de comportamento do criminoso ajuda Sherlock a descobrir que o método de Blackwood se baseia em um sistema místico ritualista. Descobre onde será o próximo crime e consegue evita-lo com a ajuda de Irene que o distrai, para que Moriarty, o homem que a contratou consiga uma peça de uma maquina que faria com que ele controlasse qualquer dispositivo por ondas eletromagnéticas. Encerra-se o filme com a abertura de um novo caso.

É natural que se pergunte, como o comportamento de Sherlock faz dele tão certeiro em suas soluções de mistérios. Seus companheiros são competentes, mas por um fração do momento podem vacilar. Sherlock não. Existem três fatores que garantem o sucesso de Holmes. O ego dele está centrado em não se O fato de Sherlock ser tão realista evita que ele tenha frustrações. No inicio do filme por exemplo, o inspetor Lestrade também foi convocado a evitar os crimes de Blackwood. Sherlock pergunta onde o inspetor está e alguém diz que ele está alinhando as tropas. Sherlock já conclui que isto pode levar o dia todo e começa agir por conta própria. Sem esse senso de realidade o detetive poderia ficar esperando para agir, mas aí como ele mesmo diz, quando o detetive chegasse eles estariam limpando um corpo e indo atrás de um foragido.

Sherlock exibe o seu “eu como alguém que não se importa com o que pensam dele. Por não se preocupar com a opinião dos outros, ele não permite que seu cérebro busque o caminho de menor resistência e encontre a solução mais óbvia e ele reprime suas emoções. Seus comportamentos não são todos positivos. Mas a combinação destes o levam a ser o melhor detetive de Londres.

É uma tendência natural de nossos cérebros encontrarem o caminho de menor resistência. Tudo que não é natural, faz com que o cérebro ative um alerta para que volte a ser feito como antes. Isso se torna um grande obstáculo para superar hábitos nocivos. Como primatas, fomos feitos para guardar o máximo de energia possível. Por isso, sempre que o cérebro tem uma oportunidade de economizar energia, ele o fará. E muitas vezes essa economia faz com que receba informações equivocadas sobre a realidade.

Nosso ambiente dispara muito mais informações do que qualquer pessoa poderia absorver sozinha. Por isso, focamos no que nos interessa e descartamos todo o resto. Isso faz com que vejamos o mundo como nós somos e não como ele realmente é. É daí que tiramos a oportunidade de mascarar a realidade e colorir ela de uma forma que nos fará mais feliz, pelo menos momentaneamente. É isso que Sherlock Holmes se concentra em NÃO fazer. Holmes tem um foco claro: usar apenas evidências para chegar na verdade sobre um crime. Sempre que sua mente tenta convence-lo a relaxar ele luta contra o impulso e volta a buscar a solução real das coisas.

Pessoas podem chegar perto de ser o mais realistas possíveis, mas é impossível alcançar uma objetividade real. Não temos como saber como o mundo é pois estamos carregados de emoções, memórias, atalhos que nosso cérebro busca. Até mesmo a forma real em que vemos as coisas diferem de uma pessoa para outra. Tome como exemplo um daltônico. Ele não vê da mesma forma que uma pessoa que vê cores padrão.

Emoções podem nos levar a caminhos mais favoráveis, mas podem nos levar a correr riscos. É bom sentir emoções. O ideal seria entender como emoções afetam nossas decisões. Em “Pense como um Freak” é narrada a história de um primeiro-ministro que queria manter um sistema de saúde inalterado de alto custo em um país em recessão por causa de um filho que precisou muito do atendimento de seus médicos e sempre foi atendido. A influencia emocional do sistema cegava o primeiro ministro para seus resultados práticos. Isso provavelmente jamais aconteceria com Sherlock.

Quando há rumores sobre Blackwood ter sido visto andando no cemitério, Watson descarta imediatamente a possibilidade. Mas Sherlock o alerta que ele não deve descartar os fatos. Seu poder de desvendar pessoas faz com que seu poder de manipulação sobre o companheiro seja grande. Após ter provas de que Blackwood realmente não está morto, a mente de Watson novamente tenta relaxar sugerindo que neste caso pode ter sido uma força sobrenatural. Assim o caso estaria resolvido, ele não teria mais que se preocupar com isso, ia poder finalmente pensar na decoração de sua casa nova com Mary e em quantos filhos eles conseguiriam dar conta de criar. Novamente Sherlock alerta sobre o erro de se teorizar antes de se ter dados.

O fato de Sherlock ser tão realista evita que ele tenha frustrações. No inicio do filme por exemplo, o inspetor Lestrade também foi convocado a evitar os crimes de Blackwood. Sherlock pergunta onde o inspetor está e alguém diz que ele está alinhando as tropas. Sherlock já conclui que isto pode levar o dia todo e começa agir por conta própria. Sem esse senso de realidade o detetive poderia ficar esperando para agir, mas aí como ele mesmo diz, quando o detetive chegasse eles estariam limpando um corpo e indo atrás de um foragido.

Diariamente, avaliar as probabilidades de pessoas específicas cumprirem com seus compromissos, um serviço contratado falhar no prazo de entrega, um companheiro de trabalho faltar seria de auxílio também para evitar frustrações em situações simples e que podem ser planejadas de antemão. Sherlock corre um risco em evitar frustrações ao não criar relações com as pessoas. Ele não tem vínculos, portanto não pode contar com parceiros em sua jornada. Seu único parceiro está o deixando para morar com uma mulher.

A definição de ego de Osho é muito esclarecedora. Ele conta uma história de um rei que construiu um palácio com uma sala com milhões de espelhos. Se alguém acendia uma vela ali, apareciam milhões de velas. Se alguém quisesse brincar ali, apareciam milhões desse alguém. Um dia um cachorro entrou lá e ficou muito assustado com milhões de cães. Ele ia morrer com certeza. Ele latia, milhões de cães latiam. Ele ficou agressivo e milhões de cães ficaram agressivos. Ele se atirou contra as paredes e de manhã foi encontrado morto.E não havia ninguém, exceto o próprio cão. A definição que Osho dá do ego é que ele nasce de reflexos. Você vê seus reflexos no que outros dizem sobre você, na maneira que te olham, que se expressam e vai acumulando. Você forma desses reflexos uma identidade. Até mesmo quando conhecemos outras pessoas, elas são na verdade um reflexo nosso, das características que resolvemos lhes dar.

O ego existe em todas as pessoas. Não poderia ser diferente, todos precisamos ter uma identidade. Existem pessoas, que deixam seus egos afetarem seu comportamento mais do que outras. Se passamos a nos preocupar em demasia com o nosso reflexo, deixamos de fazer o que nos da prazer e passamos a fazer o que nos da uma imagem melhor. Normalmente tiramos essa referencia de exigências de nossa cultura. Muitas vezes a preocupação excessiva com o ego pode paralisar pessoas. Evitar ações com o medo do fracasso e do que isso iria causar para a sua imagem.

Holmes aparentemente constrói seu ego na ausência da necessidade do reconhecimento. A imagem que ele quer passar é a de que não precisa da aprovação de ninguém e não se importa com reflexos. Ao resolver seus casos não é ele que leva o crédito na imprensa. Após salvar a menina que Blackwood ia matar, a imprensa divulga como se o inspetor Lestrade tivesse solucionado o caso e não Holmes. Sherlock foge de fotos e enfrenta as pessoas com fatos que deduz sobre elas de forma agressiva, o que demonstra uma despreocupação com o que venham a pensar dele e uma falta de empatia.

Essa característica de Holmes facilita seu pensamento claro. Se preocupar muito com os reflexos que produz nos outros faz com que as pessoas misturem emoções que muitas vezes não correspondem ao real alcance do que terceiros estão refletindo a elas. Essas emoções interferem no que está acontecendo na realidade, ou seja, nos fatos. Distorções de visões de outras pessoas podem acontecer em dois sentidos. O primeiro transforma o que alguém disse ou fez em uma imagem mais negativa do que a real intenção da pessoa. Isso nos afeta com emoções pessimistas podendo trazer reações de auto-sabotagem, que não deixam de ser uma forma do cérebro gastar menos energia pois ele já acaba com qualquer possibilidade antes mesmo de lhe dar uma chance. E o segundo é uma forma de mascarar uma realidade mais cruel, para não ter que se preocupar com isso agora ou evitar sofrimento, o que acaba prolongando uma situação ruim ou fazendo com que se entre em uma zona de conforto em algo destrutivo. Holmes não se desvirtua em nenhum desses sentidos. Ele trabalha no centro, onde as coisas são como elas são.

Um homem com poucas pessoas em seu convívio, Holmes só se envolve com quem realmente lhe interessa e possa lhe ajudar, dispensando formalidades sociais. Mesmo para conhecer a noiva de seu parceiro, ele é resistente. Não ter essa necessidade de outros ao seu redor vem da supressão de sua emoção. Isso torna Holmes um homem solitário. Apesar de toda sua perspicácia e sagacidade ele tem dificuldade em compartilhar tanto informações, quanto sentimentos. Assim, ele deixa de revelar seus planos em muitas ocasiões a Watson, que se diz incomodado com isso.

Emoções podem sim se transformar em realidade. Quando acreditamos em uma determinada coisa e nos sentimos bem em relação a ela, nos comportamos de formas que levam a concretização daquilo. Quando não acreditamos ou temos emoções negativas a tendência é não fazer nada para alcançar o objetivo. Por esse motivo reprimir emoções não seria o recomendável, já que elas são um indicador de se você está no caminho certo. E, aqui está a contradição de Sherlock Holmes, porque reprimir as emoções pode fazer você lidar melhor com fatos do mundo objetivo, mas faz com que você se cegue a possíveis percepções de seu eu. No caso de Sherlock ele se cega a sua falta de higiene, ao fato de não ter muitos vínculos íntimos com pessoas, ao fato de não ter uma família. Sherlock não quer ver o que pode lhe causar dor e essa realidade ele evita a qualquer custo. E isso são fatos, não uma teoria.

Tendo em vista que o objetivo de Holmes é ser o melhor detetive e usar sua perspicácia da melhor forma possível, o detetive o faz da melhor maneira. A supressão da emoção de Sherlock poderia vir a atrapalha-lo caso este tivesse objetivos como casar e fazer sua família, ser querido, compreender ao próximo, entre outros. Sherlock tem que sacrificar sua atração por Irene para se manter em seu eixo de objetividade. Ela o chama para ir com ela, chora, e mesmo com seu novo cenário de perder Watson para Mary ele evita Irene. O que se conclui é que antes de resolvermos nos tornar super racionais porque seria muito legal desvendar qualquer mistério assim como Sherlock o faz, temos que nos perguntar qual é nosso objetivo e se virar um Sherlock Holmes ajudaria a supri-lo ou se seria melhor passarmos bem longe de Baker Street.